O FOCO é o ingrediente mais importante no seu negócio

Sempre fui muito procrastinadora e isto tinha a ver com um aspeto, muito característico da minha personalidade, que é o facto de eu ter imensas ideias e gostar muito de fazer coisas novas, mas sempre que tinha uma ideia nova, depois de aquilo entrar na rotina eu facilmente desmotivava e me cansava. Tanto, que na minha família sempre fui apelidada de: “Ana, a rapariga das mil ideias”, “Ana, a que sonha de noite para contar de dia”.

 

A verdade é que quando tive o meu negócio eu pensei que a coisa ia mudar, eu estava a fazer aquilo que me apaixonava e se antes procrastinava era porque não era assim tão apaixonada pelo que fazia e todas aquela coisas românticas … Eu acreditava que a partir do momento em que eu criasse o meu próprio negócio eu iria tornar-me super focada e levar tudo à ação, mas a procrastinadora continuava lá, eu não mudei a minha personalidade simplesmente porque em vez de trabalhar por conta de outrem passei a trabalhar por conta de própria, pelo contrário!

 

Eu tenho a certeza que muitos empreendedores passam por isso. Quando eu trabalhava em jornalismo eu tinha deadlines para cumprir, eu sabia que quando chegasse aquele momento tinha de entregar aquele projeto. Quando eu comecei a ser empreendedora nos primeiros tempos eu não tinha um escritório, eu trabalhava em casa, hoje também trabalho em casa apesar de ter um escritório, só que na altura não era disciplinada o suficiente para o fazer.

 

Eu acordava de manhã e tinha imensas tarefas na minha agenda que eu acreditava piamente que ia conseguir concretizar, mas o dia começava e eu começava a fazer alguns trabalhos e de repente era distraída por tudo o que me rodeava. A roupa por lavar, a louça, o almoço que estava por fazer, depois do almoço descansava…. Chegava às 14h e não tinha feito nada do meu negócio.

 

Os meus amigos perguntavam, “Ana como é ser empreendedora?”, e eu respondia que tinha uma vida de liberdade e que era ótimo, mas a verdade é que não estava a ter resultados absolutamente nenhuns, o que era normal porque se eu não estava a fazer as coisas como é que eu teria resultados?

 

Por exemplo, se eu fosse dar uma formação na quarta-feira, eu conseguia organizar-me e ter disciplina. Eu sabia que segunda e terça-feira teria de deixar todos os materiais preparados para essa formação e conseguia organizar-me e cumprir esse deadline. No entanto, para tudo o resto onde eu não tinha deadlines eu não conseguia cumprir.

 

Como era de esperar, isto começou a afetar-me, porque o tempo ia passando e eu olhava para os resultados e eles não surgiam e olhava para a minha agenda de 1001 ideias que eu queria implementar e não conseguia arranjar o tal tempo para conseguir trabalhar no meu negócio. O que não deixa de ser irónico, porque eu estava a trabalhar exclusivamente no meu negócio.

 

Isto é muito interessante, porque muitos dos meus empreendedores começam por ser empreendedores em part-time, e começam a desenvolver o seu negócio alinhado com o seu propósito enquanto mantêm em paralelo o seu emprego por conta de outrem e assim vão conseguindo gerar o rendimento que lhes permite transformar aquele part-time num negócio a tempo inteiro.

 

No início muitos deles têm de fazer um esforço desmedido para conciliar esta vida agitada de todas as frentes da sua vida, e assim que passam a trabalhar no seu negócio a tempo inteiro perdem muitas vezes essa disciplina que lhes permitiu chegar onde chegaram.

 

Lembro-me, uma vez, que uma das minhas empreendedoras a Susana me disse: “Ana eu sinto-me muito menos produtiva agora que só trabalho para o meu negócio, do que quando tinha o meu emprego a tempo inteiro”. E isto porque a Susana durante 9 meses trabalhou no seu negócio com um foco e disciplina exemplares! Ela não estava habituada a ter todo esse tempo disponível para se dedicar ao seu negócio e perdia-se numa série de coisas secundárias que arranjava para fazer.

 

Nós levamos a vida toda habituados a que nos digam o que temos de fazer – os nosso pais, professores, mais tarde, os chefes – e quando nos vemos pela primeira vez donos do nosso tempo, surge a dúvida: “E agora o que faço?”. Não há ninguém que nos diga o que fazer, quando fazer e como fazer e isso pode tornar-se mesmo desconcertante, eu chamo a essa fase do empreendedorismo “Ser um Empreendedor ao Sabor do Vento”. Não são todos, mas a maior parte dos empreendedores sofrem desta “síndrome” no início do seu negócio.

 

A liberdade sempre foi aquilo que mais procurei e que mais defendo, mas o que não antecipei foi que essa liberdade se tornasse o meu maior desafio.

 

Empurrar apenas com a barriga e entrar no “Posso fazer quando me apetece”, “Não preciso de prestar contas a ninguém”, “Ser empreendedor é ser livre” e todas essas tretas, não vai trazer resultados, porque eles só aparecem se nós nos colocarmos em ação!

 

Ana Cristina Rosa 

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